quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ATÉ QUANDO? – uma leitura do Salmo 74


Já não vemos os nossos sinais, já não há profeta, 
nem há entre nós alguém que saiba até quando isto durará. (v. 9)
Este é o verso central do Salmo 74 que dá voz à congregação em seu lamento diante de Deus.  O tema central do salmo é a queixa por Deus ter "rejeitado" (v. 1) o seu povo.  A congregação se queixa diante de Deus questionando e requerendo atenção e lembrança divina.
Lembra-te ... (v. 2)
Levanta os teus pés ... (v. 3)
Lembra-te disto ... (v. 14)
Atende a tua aliança ... (v. 20)
Levanta-te, ó Deus ... (v. 22)
Lembra-te ... (v. 22)
Não te esqueças ... (v. 23)
Lembrando do pacto e do acerto feito entre Criador e Criaturas – Deus e seres humanos – o salmista coloca diante de Deus toda a queixa da comunidade que se vê abandonada por Deus.
Até quando, ó Deus, nos afrontará o inimigo? (v. 10)
O questionamento é assim: se Deus é o Todo-Poderoso, conforme demonstram as suas ações testemunhadas pelos antepassados, por que hoje não mais podemos testemunhar as suas ações?  E por que a todo instante os inimigos parecem triunfar?  Até quando nós deveremos supliciar esperando que "a tua mão" (v. 11) se manifeste novamente no meu do povo?  Se o Senhor é quem estabeleceu "todos os limites da terra" (v. 17), então por que "os teus inimigos bramam no meio dos teus lugares santos" (v. 4)?
Mas ao contrário de outros salmos que apesar da angústia e da ansiedade concluem com uma palavra de louvor e reconhecimento, este salmo termina dando voz a uma comunidade que se encontra em "tumulto" (v. 23) e que por isso mesmo conclama a Deus que resolva ele mesmo a questão:
Lembra-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa;
lembra-te da afronta que o louco de faz cada dia (v. 22)