quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A ALEGRIA É O REINO DE DEUS


Talvez o título desta reflexão não soe bem ao afirmar que o Reino de Deus (aquilo que Jesus veio implantar como é dito em Mt 4:17) corresponda à alegria pura e simples.  É que lendo Paulo devo entender exatamente assim:
Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida,
mas justiça, paz, e alegria no Espírito Santo.
(em Rm 14:17 – com o devido destaque).
Entendo ainda que nesta época de alergias e festividades de Carnaval, anunciadas e cantadas, seria até temerário associar uma coisa à outra.  Contudo, é este o ponto a se enfatizar.  Alegria não é isso que se festeja no reinado de Momo, mas o que só se encontra vivendo sob a soberania de Deus.  Ou seja, será comparando uma com outra que quero fazer sobressair a alegria da cidade do grande Rei (a expressão poética é a do Sl 48:1-2).
A primeira afirmação a ser feita é que a alegria do Reino de Deus é gerada em nós pelo próprio Espírito Santo.  Paulo, ao listar os frutos do Espírito que devem ser produzidos e encontrados pelos que nele vivem, coloca de início a alegria (veja Gl 5:22).  Com isto o apóstolo está demonstrando que a vida do cristão tem que ser uma vida alegre por sua natureza, assim como é da natureza da mangueira produzir manga e do coqueiro produzir coco.
Entendo nesta implicação pelo menos duas outras que devo destacar aqui.  A alegria do Reino de Deus é completa em si mesma e, ao contrário da carnavalesca, não depende de estímulos externos para acontecer e nos inundar (leia Jo 17:13).  Embora possa até ser sazonal, mas é sempre resultado de sua maneira própria de ser e existir – é fruto. 
O livro de Atos nos conta que os convertidos de Antioquia ao se encherem do Espírito se encheram da verdadeira alegria (e continuaram cheios como é o que diz At 13:52).  E penso que a instrução paulina para nos enchermos do Espírito deve de imediato também nos fazer transbordar completamente de alegria (note bem que em especial no verso de Ef 5:18 a plenitude do Espírito está em oposição à alegria imperfeita e precária do vinho).
Outra implicação da alegria do Espírito que é marca do Reino de Deus é que ninguém pode nos tirar.  Jesus garantiu que embora nossa tristeza pudesse ser real, ela seria eventual e transitória, mas a alegria que ele nos prometeu, esta sim, seria eterna (confirme em Jo 16:22).  Ao contrário da alegria deste mundo, a nossa não é circunstancial, então nenhum fator externo pode alterá-la em nada.
Volto a Paulo para citá-lo quando disse aos cristãos de Corinto que mesmo em tribulações ele podia experimentar o transbordamento de sua alegria (leia em 2Co 7:4).  É claro que nesta afirmação deve está implícita uma dose – e grande – de fé e esperança (pelo menos é isso que aponta Rm 8:18).  Ou seja, se a alegria deste tempo explode no Carnaval ela vai acabar em cinzas.  A nossa, contudo, pode até ser provada pelo fogo momentâneo das tribulações, mas redundará numa alegria eterna.
Sim, a alegria é o Reino de Deus, não a alegria efêmera e aparente destes dias, mas a verdadeira, profunda e eterna que só o Espírito nos confere.  Que assim ele nos faça.

(Do sítio ibsolnascente.blogspot.com em 12/02/2010)